Data: 17 março de 2006
Local: Praça Julio Prestes, em frente à Estação da
CPTM
Vítima: Criança de 12
anos de idade, não identificada
Agente
do Estado: um soldado da Polícia Militar
Relato do caso:
Um menino de 12 anos,
em situação de rua, foi agredido na manhã de 17 de março de 2006 por um
policial militar na Praça Júlio
Prestes, em frente à estação da CPTM, no centro de São Paulo. Depois de
uma discussão o policial militar passou a atacar a criança, pegando seu
braço e derrubando-a no chão. Em seguida deu-lhe apertões na nuca
pressionando sua cabeça contra o chão.
Ao ouvir os gritos do menor,
transeuntes perplexos com a cena, se aglomeram na frente da Estação CPTM.
Muitos, ao se aproximarem, interpelaram o
policial militar e seu colega, um soldado que só olhava a cena, para pedir
que parassem. A revolta contra a ação se tornou mais incisiva logo depois,
quando o agressor começou a torcer o braço do menino. "Pára, pelo
amor de Deus", gritava uma moça. "É uma criança", reclamava também outro
rapaz (Folha de S. Paulo, 18/03/2006). O menino foi levado pelos
PMs para a base móvel localizada metros adiante. Uma professora e sua
amiga, uma vendedora, foram questionar a situação: "Nem estou avaliando
se a criança é uma santinha ou não", disse uma delas (Folha de S. Paulo,
18/03/2006). Todos foram ameaçados de prisão por desacato.
Situação da
investigação: A cena foi presenciada pela reportagem da Folha de S. Paulo
que abordou os soldados na base, onde teve seus documentos recolhidos. Em
resposta aos motivos da agressão o soldado afirmou ter sido xingado
pelo menino, embora reconhecesse que ele não havia cometido nenhum delito.
"Não vou admitir, sou pai de família, ele me xingou de tudo quanto é
nome", acrescentando já ter detido a mesma criança meses atrás, quando ela
teria usado um estilete para roubar um pedestre
(Folha de S. Paulo, 18/03/2006).
O menino foi levado ao 77º DP e, em
seguida, ao Conselho Tutelar, na praça da República. A reportagem do
jornal não pôde conversar com a criança, porém duas conselheiras tutelares
disseram que ele não estava machucado e que havia relatado não ter sido
agredido. Ou seja, por medo, negou a agressão vista por todos. Ele seria
levado a um pronto-socorro, segundo elas, apenas devido a uma bronquite.
A Polícia Militar declarou que iria apurar o caso (Folha de S. Paulo,
18/03/2006).
Fonte: Folha de
S. Paulo, 18/03/2006)