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Última atualização: 10/05/2007 |
Data:
9
de setembro de 2006
Local:
Jardim
Tranqüilidade,
Guarulhos (Grande
São
Paulo)
Vítimas: Edmário Antonio de
Oliveira,
41, Admilson Aparecido Nascimento, 31, e Marcelo
Ferreira
Romite, 37
Agentes:
dois
homens
encapuzados
que
familiares
das
vítimas
acreditam serem
policiais
militares
Relato do caso:
Em
menos
de 72
horas,
entre
os
dias
7 e 9 de
setembro
de 2006,
quatro
chacinas
foram registradas
em
periferias
da
Grande
São
Paulo. A
cena
foi a
mesma
em
todas as
ocorrências:
dois
homens
encapuzados chegam dirigindo uma
moto
ou
um
carro,
às
vezes
a
pé,
e num
determinado
local
movimentado,
considerado
como
ponto
de
consumo
de
drogas,
fazem
dezenas
de
disparos
contra
o
grupo
de
pessoas
que
ali
se encontre, fazendo várias
vítimas
fatais.
Tido
como
de “costume”,
as
execuções
em
série
de moradores
pobres
das
periferias
tem
receita
padrão
oficial.
Segundo
a polícia,
que
é boa
em
eliminar a
suspeita
de envolvimento de
policiais
na
matança
quase
que
cotidiana
registrada
em
São
Paulo, a
razão
alegada é
quase
sempre
“acerto
de
contas
entre
quadrilhas
rivais”.
E
como
também
de “costume”,
os casos não são investigados e rapidamente vão ralo
abaixo somar-se ao
rol da
impunidade.
Na
madrugada
do
dia
9 de
setembro
de 2006
não
foi
diferente.
Eram 3h15
quando
dois
homens
encapuzados, dirigindo
um
carro
não
identificado, pararam
perto
de
um
posto
de
gasolina
e caminharam
um
pouco
na
Avenida
Emilio
Ribas,
no
Jardim
Tranqüilidade,
em
Guarulhos (Grande
São
Paulo).
Em
seguida
voltaram-se
para
um
grupo
de
pessoas
e, empunhando
armas,
efetuaram
vários
disparos.
Três
pessoas
morreram na
hora,
foram
elas:
Edmário Antonio de
Oliveira,
41, Admilson Aparecido Nascimento, 31, e Marcelo
Ferreira Romite, 37. Outras duas ficaram
feridas,
uma delas
gravemente,
com
“morte
cerebral”
(Agora,
São
Paulo, 10/9/2006). Foram
tantos
os
disparos
que
eles
puderam
ser
ouvidos
por
algumas
testemunhas
(Folha
Online,
9/9/2006).
Inconformados
com
a
matança,
familiares
das
vítimas
“acusam
policiais
militares
de estarem envolvidos nas
chacinas”
(Agora,
São
Paulo, 10/9/2006). A
Secretaria
de
Segurança
Pública
afirmou
que
“nenhuma
hipótese
será descartada” (Agora,
São
Paulo, 10/9/2006).
Mas
a afirmação foi
só
em
tese,
já
que
“o
costume”
é
vigorar
a
impunidade.
Situação da
investigação:
O
dever
da
polícia
civil
é
levar
a
cabo
uma
rigorosa
investigação,
fiscalizada
pelos
demais
órgãos
responsáveis,
tal
como
o
Ministério
Público.
Além
disso o
próprio
governador,
Cláudio Lembo, comprometeu-se a
pedir
a
abertura
de uma
investigação
da
matança
em
série
deflagrada naqueles
dias,
afirmando
que
“o
governo
irá
investigar
para
saber
se os
crimes
foram uma
coisa
local
ou
mais
ampla”.
É
importante
salientar
que
a
maioria
dos
jornais
mencionou
um
“tiroteio”
ou
“troca
de
tiro”
no
local
da
chacina,
como
a
justificar
a
ação
dos
dois
homens
encapuzados.
Mas
nenhum
deles diz se
eles
foram atingidos. Parece
que
a “troca”
foi
só
de
um
lado.
Os
jornais
também
não
dizem se foram encontradas
marcas
de
balas
ou
se foram encontradas
armas
com
as
vítimas.
O
local
da
matança,
segundo
a
versão
policial
sempre
reproduzida
sem
crítica
pelos
jornais,
está
sempre
vinculado ao
tráfico
ou
consumo
de
drogas.
Mas
se
testemunhas
afirmam
ter
ouvido
os
disparos,
porquê
a
polícia
não
os interroga
para
saber
o
que
elas
tem a
dizer?
Neste
caso,
como
em
muitos
outros,
enganam-se
aqueles
que
pensam
que
a
impunidade
é
obra
para
proteger
só
os
que
puxam o
gatilho
para
matar.
Há
ainda
aqueles
que,
com
sua
omissão,
coroam a
impunidade.
Fontes:
Folha
On-Line,
9/9/2006;
Terra,
São
Paulo, 9/9/2006;
Globo
Online,
9/9/2006;
Agora,
São
Paulo, 10/9/2006
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