CHACINA DO JARDIM ATALIBA LEONEL, TREMEMBÉ (zona norte de São Paulo) – 26 de junho de 2005

 

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Data: 26 de junho de 2005
Local: Jardim Ataliba Leonel, Tremembé (zona norte de São Paulo)
Vítimas: Aguinaldo Alves de Oliveira, de 54 anos; Maurício Ribeiro de Souza, de 29 anos; José Alexandro da Silva, de 27 anos; Edson Gomes da Silva, de 33 anos; Orlando Costa Lima, de 54 anos; e Wilson Aparecido Alves, de 46 anos; uma sétima vítima não identificada
Agentes: seis homens não identificados, podendo ser seis policiais militares ou seis “gansos” (informantes da polícia)

Relato do caso: Quatro dias depois da última chacina ocorrida em São Paulo, mais uma matança aconteceu no Jardim Ataliba Leonel, em Tremembé (zona norte de São Paulo). As seis vítimas mortas e mais seis feridas, algumas em estado grave, estavam em um bar sem nome na Rua Diego de Losada, por volta de 0h30 de 26 de junho de 2005, quando chegaram os seis assassinos: em três motos, dois em cada uma delas, portavam capacete e máscaras. Segundo os vizinhos do bar, os seis imediatamente começaram a atirar na direção das vítimas - na maioria, trabalhadores e pais de família que moravam no bairro. "Apareceu uma pessoa de capuz e capacete de motoqueiro e saiu atirando numa pessoa que estava na porta do bar", conta um trabalhador autônomo de 40 anos que sobreviveu ao se proteger atrás de um refrigerador do bar. Ele também foi o primeiro a socorrer as vítimas. "Quando ele matou o primeiro, não satisfeito, foi para o meio da rua e começou a atirar em direção ao bar." (Folha de S. Paulo, 27/06/2005) Usaram pelo menos quatro armas: uma espingarda calibre 12, de cano curto, e três pistolas de calibres 380, 9 milímetros e .40. Foram encontrados no local 32 cartuchos de pistolas semi-automáticas. Segundo o testemunho de vizinhos, um dos mortos era o alvo dos assassinos, os outros morreram por estarem lá. Uma testemunha relatou à polícia - relato transmitido a um jornalista por um investigador - que ele estaria “jurado de morte”; que alguém teria avisado que “gansos” (informantes da polícia) “prometiam passar no bar e matar todo mundo” (Diário de S. Paulo, 27/06/05).

Morreram no local do crime, além do motorista Aguinaldo Alves de Oliveira, de 54 anos, o motoboy Maurício Ribeiro de Souza, de 29 anos, e José Alexandro da Silva, de 27 anos. O mecânico Edson Gomes da Silva, de 33 anos, o pintor Orlando Costa Lima, de 54 anos, e o instrutor Wilson Aparecido Alves, de 46 anos, chegaram a ser levados ao Pronto-Socorro do Hospital São Luís Gonzaga, no Jaçanã (zona norte), mas não resistiram aos ferimentos. Mais seis pessoas ficaram feridas, duas delas com gravidade, vindo uma a falecer dois dias depois. Entre os moradores, a crença era de que os assassinos eram policiais militares. Um deles declarou, para corroborar sua afirmação: “Só atiraram na cabeça e no tórax, coisa de gente que sabe bem o que está fazendo”. No enterro um parente dizia: “Tenho certeza que foi a polícia. Bandido não esconde a cara”. (Diário de S. Paulo, 28/06/2005). Além disso ouviam-se gritos "foi polícia que matou". Um outro vizinho declarou também: "Bandido mata de cara limpa, quem se esconde para matar é a polícia" (Folha de S. Paulo,28/06/2005). Há ainda versões de que os policiais costumavam fazer “acertos” com traficantes naquele bar, isto é, cobrar suas propinas, e alguém tendo-os contrariado, teria desencadeado a matança.

Situação da investigação: O múltiplo assassinato foi registrado no 73º Distrito Policial (Jaçanã). Mas a Secretaria de Segurança Pública informou que o caso estaria sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O Delegado Assistente da Divisão de Homicídios (Múltiplos), Fábio Guedes Rosa, imaginou como móvel do crime vingança ou disputa por ponto de venda de drogas e descartou latrocínio e crime passional. Só não imaginou aquilo que fica cristalino para um observador realista, à vista das declarações dos moradores e dos fatos: um acerto de contas com alguém ligado ao tráfico de drogas que não pagou a “propina devida” a policiais militares da região. Com efeito, candidamente, o Delegado afirmou que não foi feita nenhuma denúncia de envolvimento de policiais militares. E precisava?

Fontes: ANotícia - http://an.uol.com.br - 27.06.05; Folha on line - http://www.folha.uol.com.br/ -26.06.05; Estadao.com.br - http://www.estado.estadao.com.br/ - 26/06/05; EPTV.Globo - http://eptv.globo.com/noticias/ - 26.06.05; Folha de S. Paulo, 27/06/2005 e 28/06/2005; Diário de S. Paulo, 27/06/05 e 28/06/05; Folha Online - http://www1.folha.uol.com.br - 29/06/ 2005.