CHACINA DO MORRO DO SAMBA,  DIADEMA  (Grande São Paulo) – 22 de junho de 2005

 

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Foto de protesto em Diadema em 7 de agosto de 2005

Data: 22 de junho de 2005
Local: Morro do Samba, Bairro Serraria, Diadema (Grande São Paulo)
Vítimas: cinco rapazes com idade entre 14 e 22 anos: Renan, Gabriel, Felipe, Tiago e Marcelo
Agentes do Estado: 35 policiais civis não identificados do Setor de Investigações Gerais (SIG), da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (DISE) e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (GARRA)

Relato do caso: Mais uma chacina ocorreu em São Paulo, no dia 22 de junho de 2005, travestida de tiroteio em que “todos os bandidos” morrem e “todos os mocinhos” se salvam. Foi no Morro do Samba, no Bairro Serraria, em Diadema (grande São Paulo). E como em todas estas histórias, as vítimas “morrem a caminho do hospital”.

Segundo os moradores, os policiais civis entraram na favela, na tarde do dia 22 de junho, atirando contra dois homens. Um deles teria revidado e acertado um investigador com um tiro no peito. Furiosos outros 34 policiais perseguiram então cinco rapazes que entraram em uma casa, ao acaso, para se proteger. Eles estavam escondidos debaixo de duas camas e dentro de um armário. Segundo a dona da casa invadida na fuga pelos rapazes, uma empregada doméstica, eles pediram para se esconder em sua casa apenas para se proteger do tiroteio: “O pessoal estava fugindo para não levar tiro. Entraram na minha casa e ficaram no quarto. Não tinha arma nenhuma com eles”. A polícia cercou a casa e ordenou que a família saísse: “Disseram 'sai daqui se a senhora não quiser morrer'. Daí começaram a dar tiros aqui dentro, mataram os meninos.” Ela estava em casa com seis filhos pequenos e um neto e saiu para não ser morta. Essas declarações e outros protestos contra a brutalidade da polícia marcaram o enterro das vítimas.

Para a polícia, a versão é outra, naturalmente: quem a deu foi o delegado titular da Delegacia Seccional de Diadema. Segundo ele, policiais procuravam um grupo suspeito de tráfico de drogas e localizou-o naquela favela. Entraram divididos em dois grupos e localizaram aqueles que procuravam. Um dos suspeitos se entregou: era alguém com passagem pela polícia por roubo e receptação e teria fugido de uma cadeia em outubro de 2004. Outros atiraram e feriram o policial acima referido. E cinco fugiram entrando em uma casa onde estavam uma mulher com seus seis filhos com idades entre 5 e 16 anos e um neto de 9 meses. Ainda segundo a versão policial, a família “conseguiu escapar” (escapar da matança que ia se dar) e a casa foi cercada, tendo início o tiroteio. Os cinco foram baleados e levados para o Pronto Socorro Central de Diadema, onde, como sempre acontece, chegaram mortos. Em outra versão, dois morreram no local, um a caminho e os outros dois no hospital. Ainda segundo o delegado seccional todos os mortos estavam envolvidos no tráfico de drogas na favela. Foram apreendidas quatro armas: uma pistola de fabricação alemã e três revolveres calibre 38. Participaram da ação que resultou na chacina policiais civis do Setor de Investigações Gerais (SIG), da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (DISE) e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (GARRA).

Situação da investigação: Não se tem notícia de qualquer elemento de investigação e a polícia sequer forneceu o nome das vítimas. O Ouvidor da Polícia de São Paulo, Dr. Antonio Funari Filho, teve que solicitar à Corregedoria da Polícia Civil que apurasse se “houve excesso da polícia”. O delegado titular da Delegacia Seccional de Diadema quando questionado, afirmou que todos os cinco jovens mortos "eram bandidos e que eles atiraram, sim, contra os policiais".

Fontes: Folha de S. Paulo, 23/06/2005, 24/06/2005; Diário de S. Paulo, 23/06/2005, 24/06/2005; estadao.com.br 23.06.05.