CHACINA

DE PARADA DE TAIPAS (ZONA NORTE DE SÃO PAULO) – 7 de setembro de 2006

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Última atualização: 02/04/2007

Data: 7 de setembro de 2006
Local: Jardim Paulistano, Parada de Taipas (zona norte de São Paulo)
Vítimas: Josiel Evangelista Matos, 50 anos, Ginavaldo Bernardo dos Santos, 32 anos, Fabiano Carlos Martins, 24 anos, Antonio da Silva Alves, 31 anos, e José Adilson dos Santos, 32 anos
Agentes: dois homens encapuzados apontados por moradores como policiais militares do 18º Batalhão

Relato do caso: Enquanto os cidadãos das cidades e capitais brasileiras dormiam nas primeiras horas do dia em que eventos oficiais marcam a Independência do Brasil, São Paulo, de onde outrora ecoou o grito de independência do jugo da metrópole portuguesa, registrou mais uma chacina, contabilizando cinco mortos por disparos de arma de fogo. Ao lembrar a Independência, o Brasil enterra seus mortos.

   Era madrugada do dia 7 de setembro de 2006, por volta das 2h40. Em Parada de Taipas (zona norte de São Paulo), um Gol branco se aproximou de um conhecido bar no Jardim Paulistano, na altura do nº 4.645 da Av. Eliseo Teixeira Leite. Naquele momento ainda havia várias pessoas no local. Do veículo desceu um homem encapuzado, de arma em punho e, decidido, entrou no bar e efetuou a esmo “mais de 20 disparos de pistola automática calibre 380” (Agora/São Paulo, 8/9/2006). Um outro homem, também encapuzado, o aguardava no comando do veículo.

   Cinco homens, todos com alguma ocupação e sem ficha criminal, moradores do bairro, morreram no local, atingidos por vários disparos na cabeça e nas costas. Foram eles: Josiel Evangelista Matos, de 50 anos, que era motorista da Viação Santa Brígida; Ginavaldo Bernardo dos Santos, de 32 anos, que era pizzaiolo; Fabiano Carlos Martins, de 24 anos, que confeccionava panfletos; e Antonio da Silva Alves, de 31 anos, e José Adilson dos Santos, de 32 anos, que eram ajudantes. Não houve troca de tiros, todos os disparos foram efetuados pelo homem encapuzado. Cerca de dois minutos depois do crime, desarranjando o cenário da chacina, um carro de polícia parou no local e recolheu os corpos e encaminhando-os para o Instituto Médico Legal (IML) da região central, onde os parentes tiveram que ir, para reconhecê-los.

Situação da investigação: Adiantando-se aos procedimentos mínimos da investigação, a polícia definiu o local da chacina como sendo um reduto de traficantes e avançou a hipótese de “acerto de contas” como sendo a mais provável causa. Sem testemunhas, provas materiais, perícia e pistas dos assassinos, o caso tende a se arrastar ad eternun, como tantos outros da mesma natureza, impunemente.

   Como em quase todas as histórias sobre ocorrências de chacinas, há um precedente e não raras coincidências. Uma conversa com parentes das vítimas revela a suspeita de uma prática há muito conhecida, embora pouco investigada e menos ainda combatida. O bar era conhecido de policiais militares do 18º Batalhão. Segundo disseram os parentes, “os PMs iam ao bar toda semana, revistavam todos os clientes e diziam para que ninguém ficasse bebendo ou jogando depois das 23 horas” (Folha de S. Paulo, 8/9/2006). Um deles diz que os policiais “deram vários avisos” (Agora, São Paulo, 8/9/2006). Ao que parece, eram os policiais militares responsáveis pela ronda na região que impunham o horário de funcionamento do bar. Moradores do bairro acreditam que a desobediência à ordem dada tenha motivado uma “vingança de policiais militares do 18º Batalhão” (Folha de S. Paulo, 8/9/2006).

   Surpreso com a extrema eficiência da polícia, neste caso, “outro parente disse ainda ter achado estranho o carro da polícia ter chegado ao bar cerca de dois minutos depois do crime” (Folha de S. Paulo, 8/9/2006). O rapaz disse ter ouvido “os tiros e dois minutos depois já chegou um carro da polícia, isso é estranho” (Agora, São Paulo, 8/9/2006).

   A região de Parada de Taipas é considerada pelos policiais, segundo os jornais que relatam a chacina, um dos principais pontos do tráfico comandado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo. Em maio, no período de ataques a alvos policiais atribuídos ao PCC, o filho de um investigador e um policial militar de folga foram assassinados no bairro.

   Mas apesar de, segundo a polícia, o local ser apontado como reduto de traficantes, a Secretaria de Segurança Pública teve que confirmar que nenhuma das cinco vítimas tinha passagem pela polícia. Informou também que nenhum policial do 18º Batalhão teve problemas no bar onde ocorreu a chacina e que suspeitas de envolvimento de policiais militares deveriam ser denunciadas à ouvidoria da Polícia Militar (Folha de S. Paulo, 08/09/2006).

   Diante de tanto sangue derramado, cápsulas, relatos de parentes e vizinhos das vitimas, por que ainda esperar por eventuais denúncias, quando todos sabem que os assassinos deixam marcas peculiares. A Secretaria de Segurança Pública deveria, junto com os esclarecimentos de praxe, encaminhar rigorosa investigação, e o Ministério Público acompanhar. Caso contrário, todas as hipóteses devem ser aventadas, inclusive a de envolvimento de policiais.

Fontes: Agência Estado, 7/9/2006; Folha de S. Paulo, 8/9/2006; Agora, São Paulo, 8/9/2006; Vale Paraibano,São José dos Campos, 8/9/2006