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Última
atualização: 18/04/2007 |
Data:
14 de
maio
de 2006 e 10 de
dezembro
de 2006
Local:
Parque
Bristol (zona
sul
de
São
Paulo)
Vítimas:
Fabrício de
Lima
Andrade, de 18
anos,
Edivaldo
Soares
Andrade, de 24
anos,
Israel Alves de Souza, de 25
anos,
e Fernando Elza, de 22
anos
Agentes:
dois
homens
com
jaqueta,
não
identificados,
mas
que
entidades
de
direitos
humanos
consideram ligados a
policiais
por
uma
série
de
indícios
Relato do
caso:
A
partir
do
dia
12 de
maio
de 2006, o
Estado
de
São
Paulo foi
palco
de
ataques
atribuídos ao PCC (Primeiro
Comando
da
Capital)
a
alvos
do
aparelho
repressivo
do
Estado
e a
empresas,
que
tiveram uma repercussão
espalhafatosa
e catastrofista na
mídia.
Como
resposta
a
esses
ataques
foi desencadeada pelas
autoridades
uma
caça
implacável
aos “suspeitos”,
isto
é, moradores das
periferias
pobres
das
cidades
do
Estado,
que
resultou
em
um
banho
de
sangue
sem
precedentes.
Foi neste
contexto
que
na
noite
do
dia
14 de
maio
de 2006, os
jovens
Fabrício de
Lima
Andrade, de 18
anos,
Edivaldo
Soares
Andrade, de 24
anos,
e Israel Alves de Souza, de 25, foram vitimas de uma
chacina
ocorrida no
Parque
Bristol,
zona
Sul
de
São
Paulo.
Dois
homens
com
jaquetas
e dirigindo
um
veículo
Vectra
escuro
se aproximaram dos
rapazes
e fizeram
vários
disparos.
Havia
entretanto
um
sobrevivente,
o
estudante
Fernando Elza, de 22
anos,
atingido
por
um
tiro
no
pé
(Folha
de S. Paulo,
11/12/2006). O
que
levou as
entidades
de
direitos
humanos
a concluírem
ter
sido a
chacina
executada
por
policiais
ou
homens
a
eles
ligados foi o
que
aconteceu
em
seguida
com
Fernando.
Ele
foi
logo
socorrido e
levado
para
o
Hospital
Focus.
Mas,
ao
que
parece, havia
muita
gente
interessada
em
saber
se o
rapaz
teria
condições
de
identificar
os
autores
dos
disparos.
Quando
começava a
ser
atendido
policiais
militares
foram ao
seu
leito
e o levaram
com
brutalidade
(Folha
de S. Paulo,
11/12/2006). Fernando foi arrastado do
hospital,
ainda
ensangüentado, ferido e chorando
muito,
seu
destino
era
incerto. Ficou
dentro
da
viatura
policial,
rodando
por
algumas
horas
pelas
ruas
da
zona
sul
de
São
Paulo e
só
depois
foi apresentado ao
delegado
do 83º DP, no
Parque
Bristol,
responsável
pelo
registro
do
boletim
de
ocorrência
sobre
a
chacina
da
qual
era
testemunha.
Depois
disso, Fernando sabia
que
tinha
virado
carta
marcada e
assim
passou a
viver
em
pânico.
Sempre
evitou
falar
sobre
a
identidade
dos atiradores e a
única
coisa
que
contou a
amigos
e às
entidades
de
direitos
humanos
foi
esse
verdadeiro
seqüestro
do
qual
foi
vítima
ainda
ferido.
Quase
sete
meses
depois
da
chacina
que
vitimou os
três
rapazes
e
justamente
depois
de
ter
sido convocado
pela
polícia
para
prestar
esclarecimentos
sobre
o
caso,
poucos
dias
antes
da
data
marcada
para
o
depoimento,
Fernando Elza foi assassinado na
rua
Jorge
Moraes,
no
mesmo
Parque
Bristol,
pelos
ocupantes
de
um
Corsa
de
cor
escura.
Situação
da
investigação:
A
chacina
que
vitimou os
três
rapazes
faz
parte
dos 23
casos
investigados
pela
Ouvidoria da
Polícia,
supostamente
atribuídos a
grupos
de
extermínio,
todas
eles
ocorridos
entre
14 e 17 de
maio,
com
um
total
de 52
vítimas.
O procedimento dos
assassinos
nestes
casos
segue
um
modelo
quase
padrão,
no
qual
as
jaquetas
de
couro
e as
toucas
“ninja” são dispositivos integrantes.
Quando
soube do
assassinato
de Fernando Elza, o
ouvidor
interino
à
época,
Júlio César
Neves,
considerou
que
era
“um
caso
notório
de uma
queima
de
arquivo,
os
indícios
são
fortíssimos” (Folha
de S. Paulo,
11/12/2006). É
importante
ressaltar
que
o
rapaz
foi assassinado
depois
de
ter
sido notificado a
prestar
depoimento.
Portanto,
concluiu o
ouvidor
interino,
“a
morte
dessa
testemunha
é uma
afronta
às
instituições
de
Direito”
(Folha
de S. Paulo,
11/12/2006). A Ouvidoria comunicou o
assassinato
ao procurador-geral de
Justiça
de
São
Paulo, Rodrigo
Pinho,
e ao
comandante
da Corregedoria da
Polícia
Militar,
coronel
José Paulo Menegucci. O
Departamento
de
Homicídios
e
Proteção
à
Pessoa
da
Polícia
Civil
(DHPP)
também
investiga o
caso.
Fonte:
Folha
de S. Paulo,
11/12/2007
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