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MOÇÃO DE REPÚDIO AOS MAUS TRATOS
COMETIDOS JUNTO AOS ESTRANGEIROS RECLUSOS NA PENITENCIÁRIA DE ITAÍ,
ESTADO DE SÃO PAULO, APRESENTADA À CÂMARA DOS VEREADORES DE CAMPINAS
PELO VEREADOR PAULO BUFALO, DO PSOL, E APROVADA EM 11 DE JUNHO DE
2008
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MOÇÃO Nº146/2008
Ementa: Repudia os maus tratos cometidos junto aos estrangeiros
reclusos na penitenciária de Itaí, São Paulo
Os presos
estrangeiros detidos na Penitenciária de Itaí, São Paulo, lançaram
manifesto denunciando diversas arbitrariedades ocorridas na
instituição. Os mais de 1100 presos, estrangeiros, de 74 países, que
reconhecem suas condenações, dizem também estarem condenados à
xenofobia. O juiz da Segunda Vara de Execuções Criminais da comarca de
Avaré, não tem concedido a nenhum dos presos o benefício da progressão
de regime ou a liberdade condicional, contrariando decisão do Supremo
Tribunal Federal, que decidiu pelo direito à progressão à todo
condenado no Brasil, sem distinção de raça, sexo ou nacionalidade.
Muitos presos já ultrapassaram o tempo requerido para obtenção do
benefício da progressão para o regime semi-aberto e continuam no
regime fechado, ilegalmente, por decisão autoritária, pessoal,
violando assim o princípio da igualdade perante a lei.
Nem sequer as saídas temporárias, direito aos reclusos em regime mais
brando, tem sido concedidas, como as que são concedidas aos presos
brasileiros que cumprem pena junto com estrangeiros na colônia
semi-aberta desta mesma penitenciária.
Segundo os internos, o tratamento dentro da instituição segue o
mesmo caminho da discriminação e xenofobia. Em relação às visitas, que
não sejam familiares de primeiro ou segundo graus, como amásias,
amigos e amigas, é exigida além do obrigatório, entrevista prévia com
assistente social antecipada, para então autorizar ou não o ingresso,
o que fere o direito à visita. Muitas visitas provém de outros países
e permanecendo por pouco tempo, não podendo na maioria das vezes
atender à antecipação. Medida injusta, injustificável e desumana.
A alimentação é precária e feita em condições deploráveis. Há cinco
meses a cozinha está em reforma e a alimentação é preparada em cozinha
provisória na marcenaria, onde se encontram muitos ratos. Há casos de
intoxicação, disenteria e suspeita de leptospirose. Faltam ainda
médicos, ambulatório adequado e remédios.
Outra queixa é a deficiência no atendimento jurídico. Há dificuldade
no agendamento de audiências com advogado público e desinformação
quanto ao andamento dos processos, o departamento não possui
computador e nem impressora para imprimir as informações da Vara
Execuções Criminais.
As tentativas de suicídio vem aumentando, segundo os presos, falta
de trabalho, superlotação, xenofobia e violência são os determinantes
para o fato.
Diante do exposto, repudiamos os maus tratos cometidos junto aos
estrangeiros reclusos na penitenciária de Itaí, São Paulo.
Que do deliberado, seja dado ciência ao Observatório das Violências
Policiais do Estado de São Paulo, ao Ministério das Relações
Exteriores, à Secretaria Especial dos Direitos Humanos, à Secretaria
de Segurança do Estado de São Paulo e à Diretoria do Presídio de Itaí.
Sala das sessões, 11 de junho de 2008
Paulo Bufalo
Vereador – PSOL
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DENÚNCIA CONTRA AS ARBITRARIEDADES NA PENITENCIÁRIA DE ITAÍ PARA
ESTRANGEIROS
Nós,
presos estrangeiros detidos na Penitenciária de Itaí, São Paulo, Brasil,
dirigimos respeitosamente a vocês, por meio desta, um pedido de ajuda para
denunciar e remediar a nossa situação nesta prisão. Os mais de 1100 presos
estrangeiros, de 74 países, que aqui estamos, denunciamos as péssimas
condições de vida neste lugar, as arbitrariedades cometidas pelos
negligentes administradores desta prisão, assim como a aparente xenofobia
da autoridade judiciária, que decide sobre nossos processos de execução
penal.
Estamos todos condenados, também, a sermos discriminados por sermos
estrangeiros. Desde a chegada de novo juiz à Segunda Vara de Execuções
Criminais da comarca de Avaré, nenhum preso conseguiu mais o benefício da
progressão de regime e nem a liberdade condicional. As poucas liberdades
acontecidas foram por cumprimento de pena, quer dizer, quando o
prisioneiro cumpriu a totalidade da sua condenação. Atitude contrária à
decisão do Supremo Tribunal Federal, que decidiu pelo direito à progressão
de regime de todo condenado no Brasil, sem distinção de raça, sexo ou
nacionalidade. Muitos de nós já ultrapassamos o tempo requerido para obter
o benefício da progressão para o regime semi-aberto e continuamos no
regime fechado ilegalmente, por decisão da autoridade, violando assim o
princípio da igualdade perante a lei. A autoridade tampouco concede aos
que já estão há tempos no regime mais brando, as saídas temporárias às
quais têm direito, como as que são concedidas aos presos brasileiros que
cumprem pena junto com os estrangeiros na colônia de semi-aberto desta
penitenciária.
O tratamento dentro do recinto segue o mesmo caminho de
discriminação e xenofobia: agora, quando da primeira visita de alguma
pessoa que não seja familiar de primeiro ou segundo grau, como amásias,
esposas, amigos e amigas, a diretoria exige, além da documentação de
rotina, uma entrevista prévia do visitante com a assistente social do
presídio, durante a semana e agendada com antecipação, para que esta
funcionária decida se autoriza ou não a entrada desta pessoa na visita.
Afetando o direito à visita que possuímos segundo a lei, dificultando
ainda mais, já que a maioria das nossas visitas provém de outros países e,
por economia e tempo disponível, não podem vir com tanta antecipação para
poder entrevistar-se com esta funcionária, e com o risco de não ser
permitida sua entrada. Uma medida injusta e injustificada.
Outra regra implantada ataca diretamente o direito à leitura,
cultura e pensamento: restringiram a entrada e a posse de livros e
revistas e, quando as encontram dentro das celas em maior número que dois
ou três por pessoa, são apreendidos. O mesmo acontecendo quando acham
alguma imagem erótica. Estas são destruídas ou apreendidas. Uma regra
moralista ultrapassada, retrógrada, como castigo e repressão.
Denunciamos ainda as deficiências no atendimento de saúde e a falta
de remédios.
Também denunciamos as deficiências no atendimento judiciário.
Dificilmente conseguimos uma audiência com o advogado público, somente com
estagiários de Direito, que nunca sabem nos informar satisfatoriamente
sobre os nossos processos. Ademais, esse setor tão importante da prisão,
não possui um computador operando para imprimir as informações da Vara de
Execuções Criminais.
A parte de alimentação é muito precária. Há cinco meses estão
reformando a cozinha. A nossa alimentação está sendo preparada num espaço
provisório na marcenaria que está infestado de ratos. Sempre há presos com
disenteria e problemas de intoxicação alimentar.
Tampouco é respeitado o direito ao trabalho remunerado. A maioria
dos presos está desempregada devido à falta de possibilidades e empresas
aqui. Através do trabalho o preso pode se manter e ajudar a sua família, e
também reduzir seu tempo de prisão com a remissão de pena por dia
trabalhado.
Para completar, aconteceram várias tentativas de suicídio de
presos. A prisão está superlotada e a cada dia mais opressiva, com uma
população estrangeira que é, sem dúvida, a mais pacífica e menos
problemática do Brasil.
Os administradores deste lugar estão cheios de ódio xenófobo e
inventam todo dia novas medidas opressivas e injustificadas contra nós,
para nos punir ainda mais. Já anunciaram novas regras restritivas para os
próximos dias.
Agradecemos todo e qualquer apoio solidário para melhorar esta
tensa situação. Uma possibilidade seria o traslado de todos os
prisioneiros estrangeiros para algum presídio na capital paulista, que
significaria benefício para as nossas visitas familiares, de advogados e
dos nossos representantes consulares, que assim poderiam cuidar melhor de
que se respeitem os nossos direitos legais que hoje estão sendo
desrespeitados impunemente. Sem mais.
PRESOS ESTRANGEIROS DA PENITENCIÁRIA DE ITAÍ
Junho de 2008
(Enviado em 5/06/2008)
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