Data:
16 de maio de 2006
Local:
Parque Ester,
Cosmópolis (interior do Estado de São Paulo)
Vítima:
Alexandre Aparecido
Moreira, 25 anos
Agentes
do Estado:
policiais militares
não identificados
Relato
do caso:
No dia 16 de maio de
2006, terça-feira, quatro dias depois do início dos ataques do PCC a alvos
do aparelho de Estado e de empresas privadas, a tentativa frustrada de
incêndio de um ônibus em Cosmópolis, região de Campinas, levou a polícia a
perseguir os quatro suspeitos de terem sido os autores, do que resultou a
morte de um deles, Alexandre Aparecido Moreira, 25 anos.
Por volta
do meio-dia de 16 de maio, um ônibus da Auto Viação Campestre trafegava
pela rua Guilhermina Kowalesk, no Parque Ester, em Cosmópolis, próximo ao
final da linha, quando teria sido interceptado por quatro homens armados
que teriam ordenado aos passageiros, ao motorista e ao cobrador que
descessem. Em seguida, teriam roubado o caixa onde havia dinheiro de
passagens e jogado o conteúdo de um recipiente de álcool caseiro no
ônibus. Como a tentativa de incendiar o coletivo com álcool fracassou
(normalmente, o álcool encontrado no comércio, é de no máximo 54°,
tornando difícil até mesmo acender um fogão, que dirá incendiar um
coletivo!), os atacantes teriam então baleado quatro vezes, supostamente
com arma de grosso calibre, possivelmente um fuzil, os vidros dianteiros
do veículo.
Avisados,
cerca de 25 policiais militares e civis cercaram o local na perseguição
aos atacantes. Houve apoio ainda de policiais de Artur Nogueira e da Força
Tática de Americana, além do helicóptero Águia, de Campinas. Enquanto isso
os quatros rapazes tentavam fugir a pé pela tubulação do esgoto que
desembocava em um matagal. No meio da tarde os policiais cercaram a área
onde estava um dos rapazes perseguidos. Na versão da polícia, invariável,
teria havido então um tiroteio no qual só morreu o perseguido, Alexandre.
Teria partido dele o disparo inicial, ao qual simplesmente parte dos 25
homens revidaram, ferindo-o mortalmente. A partir daí, a versão policial
repete o que se tornou um lugar-comum nas circunstâncias de execuções
sumárias: Alexandre não morreu imediatamente, chegou a ser levado, ferido,
para o Hospital Santa Gertrudes, do município, mas não resistiu e morreu.
Quanto aos seus companheiros de tentativa frustrada de incêndio de um
ônibus, os policiais desistiram de os procurar. Um major da Polícia
Militar declarou: “O matagal é fechado, é impossível
localizá-los lá dentro” (Correio Popular, 17/05/2006).
Situação da
investigação:
Como a cena em que teoricamente teria se dado o tiroteio, o que
justificaria a morte de Alexandre pelos policiais, em legítima defesa, foi
desfeita, nestes casos o trabalho das polícias é demonstrar que o suspeito
era "culpado." Com Alexandre teria sido apreendido um revólver calibre 38,
com várias balas deflagradas. No local, além dessa arma, foram apreendidos
cartuchos de calibres 38 e 44. A ficha de Alexandre foi levantada: tinha o
apelido de “Sujeirinha”, era desempregado, com passagens pela polícia por
prática de roubos e tráfico de entorpecentes, segundo informações da
delegacia do município.
Além
disso a polícia local também aventou hipóteses. Para um investigador, “os envolvidos no ataque são irmãos e bem conhecidos, com
várias passagens pela polícia” (Correio Popular, 17/05/2006),
pertencendo a uma quadrilha conhecida na região. E os policiais
conseguiram também interpretar a suposta intenção dos rapazes ao tentarem
incendiar o ônibus e atribuir-lhes motivo fútil. Para um major da PM, eles não seriam do PCC: “Tudo indica que eles pegaram carona na
onda de violência para ter fama instantânea” (Correio Popular,
17/05/2006),
Fontes: Correio Popular, Campinas,
17/05/2006; Cosmo On-Line, Campinas, 17/05/2006; Globo Online,
16/05/2006; Todo Dia, Americana, 17/05/2006