Data:
9 de
julho de 2005
Local:
Jardim Sapopemba (zona leste de
São Paulo)
Vítimas:
Cleiton Lopes Fernandes Guimarães, de 20 anos, e Ronaldo
Rocha da Silva, de 19 anos
Agente
do Estado:
um soldado
da PM
Relato
do caso:
Em 9 de julho de
2005 Cleiton Lopes
Fernandes Guimarães, de 20 anos, e Ronaldo Rocha da Silva, de 19 anos,
estariam tentando assaltar um bar na rua Nelson de Oliveira, no Jardim Sapopemba (zona leste de São Paulo), pertencente ao comerciante João
Toneli. Por volta das 23h40 chegou ao local o policial militar que seria sobrinho do dono do bar. No relato de um
jornal (Diário de S. Paulo,
10/07/2005) foi o policial que, aproveitando um momento de distração dos
ladrões, sacou o revolver. No relato de outro órgão de imprensa (Folha
Online, 09/07/2005), o PM vendo o assalto, deu voz de prisão
aos assaltantes, que teriam então reagido. Em ambos os relatos
desencadeou-se um tiroteio. Mas como em quase todos os tiroteios, o
policial militar ficou ferido de raspão, ninguém mais ficou ferido, mas os
dois rapazes foram fatalmente baleados. Como em todos os casos semelhantes,
foram levados para o Pronto-Socorro de Sapopemba, mas não resistiram e
chegaram mortos. O caso foi registrado no 69º Distrito Policial. O
policial militar declarou que costuma passar sempre em frente do local e
não foi informado se ele estava fardado ou não. O PM é
atirador de elite do helicóptero Águia, da Polícia Militar.
É
interessante ter em conta que o mesmo soldado da Polícia Militar matou
três adolescentes, supostos assaltantes, em 1º de setembro de 1997, no
mesmo Jardim Sapopemba. Os três mortos tinham entre 15 e 17 anos e não
tinham passagem pela FEBEM. Segundo seu próprio relato, o PM estava
conversando com uma amiga de 16 anos, na porta da casa dela, quando os
três adolescentes teriam chegado
armados
e exigido
que o PM e a moça entrassem no banco de trás do Santana pertencente ao
policial militar. Mas este teria convencido os rapazes a apenas levarem o
carro. Quando eles entravam no carro, o PM teria revelado que
era policial e dado voz de prisão. Os três teriam disparado contra ele
(Folha de S. Paulo, 02/07/1997).
Mas tal como no caso acima, nesse tiroteio de três contra um, contra toda
ordem lógica, o policial militar
saiu ileso
e os três adolescentes foram feridos mortalmente, chegando, como nos
outros casos, mortos ao Hospital de São Mateus. O caso foi também
registrado no 69º Distrito Policial. Lá o policial militar afirmou que
disparou apenas
três tiros certeiros
que atingiram mortalmente
os três adolescentes. Porém, no laudo do IML- Leste constava que cada um
dos adolescentes foi atingido por pelo menos dois tiros. Três testemunhas
confirmaram a versão do policial militar. E os familiares
entretanto
acusaram o policial de execução.
Para o delegado do 69º DP, a versão do soldado
era coerente. Foram encontradas três armas no carro e ele concluiu que
teriam sido usadas pelos adolescentes mortos. Foi aberto um inquérito para
indiciá-los por assalto.
Situação da
investigação:
Quanto às mortes de Claiton e Ronaldo, ocorrida em 9 de julho de 2005, não
se tem notícia de nenhuma investigação e tampouco se sabe se os mortos
também foram indiciados por assalto. Quanto às dos três adolescentes,
ocorridas em 1º de setembro de 1997, a Ouvidoria da Polícia de São Paulo,
através de seu titular de então, Benedito Domingos Mariano, se propôs a
acompanhar com prioridade o caso e a Corregedoria da Polícia Militar abriu
um inquérito para apurar o crime. Como o soldado não estava
trabalhando no momento da suposta tentativa de roubo do seu Santana, ele
não foi, na época, afastado. Não se tem notícia do resultado desse
inquérito.
Fontes: Folha
Online, http://www.folha.uol.com.br/09/07/2005, Agora São Paulo,
10/07/2005; Diário de S. Paulo, 10/07/2005; Estado de S.
Paulo, 10/07/2005; Folha de S. Paulo, 02/07/1997