EXECUÇÕES SUMÁRIAS

Mais uma execução sumária realizada por policiais militares na Favela do Tiquatira (zona leste de São Paulo), seguida de protesto dos moradores

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 Data: 13 de outubro de 2004
Local:
Favela do Tiquatira (zona leste de São Paulo)
Vítima: David Araújo Rosa, 19 anos
Agentes do Estado: policiais militares não identificados (autores dos disparos)

Relato do caso: Conforme o relato de policiais militares reproduzido pela imprensa, David Araújo Rosa, de 19 anos, e outro rapaz estavam assaltando, ou tentavam assaltar um motorista na Rodovia Ayrton Sena quando foram vistos por policiais militares da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), tropa de elite do 1º Batalhão de Choque da Polícia. Os dois rapazes fugiram para a Favela do Tiquatira (zona leste de São Paulo) e, sempre segundo relato dos policiais que os perseguiram, houve um tiroteio. Como sempre acontece nesses casos, nenhum policial militar foi morto ou ferido, e enquanto um dos rapazes conseguiu fugir, David foi morto. Na verdade, como é rotina nesses casos, foi ferido de morte e, por coincidência, morreu logo ao chegar no Pronto Socorro Nossa Senhora da Penha. Sempre segundo os policiais, o morto já tinha passado pela Febem por tráfico de drogas.

   Imediatamente moradores da Favela do Tiquatira se manifestaram em protesto e “complicaram o trânsito”. A manifestação continuou no dia seguinte, quando os manifestantes interditaram por cerca de uma hora a pista lateral da Marginal Tietê, sob a Ponte General Milton Tavares de Souza, no sentido Ayrton Sena, próximo à divisa com Guarulhos, o que provocou grande congestionamento. Os moradores colocaram fogo em pneus e pedaços de madeira. Vieram o Corpo de Bombeiros e novamente a Tropa de Choque da Polícia Militar do 2º Batalhão. O comandantes do pelotão de choque, tenente Wagner Rocha Gonçalves, declarou que os policiais “foram obrigados” a entrar novamente na favela e a usar bombas de efeito moral. Pelo menos sete pessoas foram presas.

Situação da investigação: A imprensa não noticiou a abertura de inquérito e nem a feitura de Boletim de Ocorrência da morte de David Araújo Rosa.

Fontes: Folha de S. Paulo, 14/10/2004; Diário de S. Paulo, 15/10/2004.

Lembrete: Em depoimento ao repóter Walmir Salaro, no Jornal Nacional da Rede Globo, em abril de 2003, um policial militar, sob anonimato, declarou: “Tiroteio forjado é aquele em que só o policial atira. O bandido só atira depois de morto. Aí você pega a arma dele, dá uns tiros para o alto ou numa viatura.” Leia mais