EXECUÇÕES SUMÁRIAS

Um homem maduro e um adolescente são executados por policiais militares do 32º Batalhão, após tentativa de assalto a um pequeno supermercado, do qual tentavam levar C$ 40,00 do caixa,  em Suzano (Grande São Paulo)

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 Data: 4 de maio de 2006
Local:
Rua Cássio Batista Nazaré, altura do nº 300, Suzano (Grande São Paulo)
Vítima: Evilázio Carneiro de Lima, de 47 anos e Isac Barbosa Silva, de 17 anos
Agente do Estado:
policiais militares do 32º Batalhão de Suzano

Relato do caso: No dia 4 de maio de 2006, por volta das 19h30 horas, Evilázio Carneiro de Lima, de 47 anos e o adolescente Isac Barbosa Silva de 17 anos, fizeram uma tentativa de assalto ao pequeno supermercado Alonso, localizado na Rua Cássio Batista Nazaré, nº 300, em Suzano, Grande S. Paulo. Armados e encapuzados (Diário do Grande ABC, 06/05/2006), logo chamaram a atenção, anunciando o assalto. Enquanto o mais velho vigiava a porta, o adolescente retirou da caixa apenas R$ 40,00, segundo uma funcionária (Diário do Grande ABC, 06/05/2006). Alguém que viu a cena e que estava fora de foco dos dois ligou para a Policia Militar e antes que o assalto se concretizasse, policiais militares do 32º Batalhão de Suzano cercaram o local. Ao perceberem a movimentação dos policiais, os dois tentaram fugir, mas não conseguiram. Porém tampouco foram presos como deveriam ter sido.

Os órgãos de imprensa que noticiaram a ocorrência foram unânimes em reproduzir somente a versão dos policiais militares para os fatos que se sucederam à chegada deles ao local. Para registrar apenas um exemplo, o jornal Diário do Grande ABC (06/05/2006) noticiou a abordagem policial da seguinte maneira: “Quando os PMs pediram para que eles parassem, os dois pegaram suas armas e começaram a atirar. A Polícia revidou e acertou ambos, que acabaram mortos”. Segundo as fontes utilizadas para produzir este relato, constata-se que além da funcionária que declarou sobre a quantia que o adolescente teria levado, ninguém mais foi interrogado. Assim, é fácil perceber porque abordagens policiais como esta são narradas pela imprensa, quase sempre, com profunda superficialidade que chega a ser repetitiva. A versão para os fatos é quase sempre a dos policiais envolvidos nas ocorrências. Neste caso em particular a versão é a registrada no Distrito Policial Central da cidade de Suzano. Nela afirma-se ainda que os dois únicos baleados na ocorrência, como seria de se prever, foram “socorridos na Santa Casa de Misericórdia, onde morreram” (Yahoo News e Agência Estado, ambos do dia 05/05/2006). Abordagens policiais como esta sempre têm mais a dizer ao público quando repórteres que cobrem tais ocorrências são motivados, pela própria função que exercem, a esclarecer fatos obscuros, desmontando versões unilaterais.

Situação da investigação: Através das fontes utilizadas não se sabe ainda quais os calibres das armas que foram utilizadas pelos dois frustrados ladrões na tentativa de assalto, nem em qual circunstância sacaram as armas, nem quantos foram os disparos efetuados por eles. Por outro lado, não se sabe também quantos policiais militares se envolveram no cerco policial, nem o calibre das armas utilizadas por eles, como também não se sabe quantos disparos foram efetuados pelos policiais nem onde os dois foram atingidos, se de frente ou de costas. O que se sabe é que, como em todos os tiroteios, morreram todos os “bandidos” e salvaram-se todos os “mocinhos”.

Tampouco se conhece o conteúdo do Boletim de Ocorrência citado nas fontes, nem se alguém foi ou será ouvido. Nada consta que pudesse esclarecer essas lacunas para o público. A chance de haver uma investigação oficial do caso resume-se a “perícia técnica”, obviamente feita depois dos corpos terem sido removidos para “morrerem oficialmente” no hospital, e à retenção de todas as armas que efetuaram disparos na ocorrência, para exames de praxe.

Fontes: Agência Estado, 05/05/2006; Yahoo News, 05/05/2006; Glogo Online, 05/05/2006; Diário do Grande ABC, 06/05/2006