EXECUÇÕES SUMÁRIAS

Dois rapazes que fogem da polícia, aparentemente por estarem em uma moto, porém sem capacetes, são considerados “suspeitos”, perseguidos e mortos por policiais militares em Suzano (interior do Estado de São Paulo)

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 Data: 14 de maio de 2006
Local:
Estrada Fazenda Viaduto, Bairro Sete Cruzes, Suzano (interior do Estado de São Paulo)
Vítima: Fabrício dos Santos Biudes, de 27 anos, e um rapaz não identificado
Agentes do Estado
: policiais militares não identificados

Relato do caso: Por conta da reação aos atentados do PCC a alvos do aparato repressivo do Estado, a partir do dia 12 de maio de 2006, as polícias de São Paulo desencadearam ações punitivas que se concretizaram na execução sumária de diversos “suspeitos”. Ao que tudo indica, é o caso de dois rapazes mortos em Suzano (interior do Estado de São Paulo), na tarde de domingo, 14 de maio - Fabrício dos Santos Biudes, de 27 anos, e um amigo dele não identificado – que foram perseguidos e mortos por aparentarem um comportamento tido como “suspeito”.

Os dois rapazes, que viajavam sem capacetes numa moto Honda azul, placas DJK 0525, de São Paulo, tiveram a má sorte de cruzar com um patrulhamento na estrada dos Fernandes, no sentido Suzano-Ribeirão Pires,  na altura do bairro Sete Cruzes. Ao receber ordem de parar o condutor da moto desobedeceu, iniciando-se então uma perseguição motorizada. Quando chegaram à estrada Fazenda Viaduto, ainda no bairro Sete Cruzes a moto tombou. Nesse momento, segundo a versão da polícia, os jovens teriam sacado revólveres calibre 38 e atirado nos policiais militares persecutores. Estes então revidaram e o resultado foi nenhum arranhão em qualquer policial e os dois rapazes feridos e mortos. Como em todos os casos de execuções sumárias, a morte não se deu imediatamente: eles chegaram a ser levados para o Pronto Socorro Municipal, mas não resistiram aos ferimentos, segundo a versão da polícia.

Situação da investigação: Como em todos os casos de execuções sumárias, toda a investigação volta-se para demonstrar a culpabilidade das vítimas. Foi o caso, já que, segundo a versão policial, cada um dos dois rapazes tinha uma cópia de um mapa feito à mão, da planta de uma base comunitária da Polícia Militar de Suzano, na Casa Branca e de vias adjacentes, que seriam alvos de ataque. Havia ainda tópicos a serem seguidos durante o ataque armado e rotas de fuga. O caso foi registrado no Distrito Policial central de Suzano. É de espantar a sorte da polícia em ter encontrado, assim, por acaso, em uma moto e sem capacetes, dois futuros autores de um ataque desse porte.

Quanto à investigação sobre as condições em que os dois rapazes foram mortos, como vimos em tantas histórias com o mesmo final, trata-se, para a polícia, de desmontar a cena do crime, levando para um hospital os feridos que, via de regra, morrem no trajeto. Desse modo, qualquer veleidade de investigação de uma polícia científica fica definitivamente comprometida. Não é mais possível o recolhimento de elementos para a investigação que, daí pra frente, dependerá quase que exclusivamente da versão dos policiais.

Fontes: Diário de Suzano, 16/05/2006; Mogi News, 16/05/2006