EXECUÇÕES SUMÁRIAS

Dois suspeitos de roubarem um veículo e de pertencerem ao PCC são mortos a tiros por policiais militares da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), em Osasco (Grande São Paulo)

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Última atualização: 11/05/2007

 Data: 12 de agosto de 2006
Local:
Presidente Altino, Osasco (Grande São Paulo)
Vítimas: Getúlio Arakaki L., 29 e um homem negro, não identificado
Agentes do Estado: policiais militares do 1º Batalhão de Choque da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar)

Relato do caso: No meio da semana do Dia dos Pais, em agosto de 2006, houve uma grande movimentação policial no Estado de São Paulo, devido à saída temporária de presos do regime semi-aberto, cerca de 13.085, por quatro dias. O alerta foi dado em todo o Estado e para aquele final de semana a folga de 100 mil policiais militares e 30 mil policiais civis foi cassada. Barreiras policiais estavam por toda parte, incluindo as saídas da cidade de São Paulo (Agora, São Paulo, 13/08/2006).

No início da madrugada do dia 12 de agosto de 2006, um sábado, policiais militares do 1º Batalhão de Choque da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), avisados do roubo de um veículo com o seqüestro de seu proprietário, suspeitaram de quatro homens que dirigiam uma Mitsubishi L-200, às 00:30, no bairro Presidente Altino, em Osasco, e passaram a persegui-los na rua dos Autonomistas.

Os policiais emparelharam com o veículo e deram sinal para que o motorista encostasse. O comandante dos policiais contou que “o motorista da picape diminuiu a velocidade e foi encostando, como se fosse parar. Mas, quando os policiais saíram da viatura, o motorista acelerou para fugir” (Jornal da Tarde, 13/08/2006). A perseguição terminou na esquina das ruas Ana Zozi Toni e Armênia, com duas pessoas mortas pelos policiais.

Segundo a descrição do coronel comandante da Tropa de Choque da Polícia Militar, “quando chegaram , os criminosos desceram do carro disparando. Dois dos criminosos conseguiram fugir, mas outros dois foram feridos no tiroteio e acabaram morrendo no pronto-socorro” (Jornal da Tarde, 13/08/2006).

Situação da investigação: Como sempre acontece nesses casos, os suspeitos foram primeiro baleados, seus corpos retirados do local da ocorrência, levados para o hospital, e então morreram, de modo que se tornou impossível uma perícia que pudesse comprovar ou desacreditar a versão fornecida pelos executores das mortes. Como os outros dois homens teriam fugido, sobrou apenas essa versão.

Quanto ao proprietário do veículo roubado, ele teria ficado, durante todo o tempo do suposto tiroteio, agachado no assoalho do veículo e por isso não teria sofrido nenhum ferimento. É quase um milagre que nessa troca de tiros, não apenas nenhum policial militar tenha ficado ferido, como, do outro lado dos tiros, alguém tenha saído ileso. Salvo, o proprietário do veículo e única testemunha da cena apenas declarou à imprensa queum dos quatro criminosos, ao ver o carro da polícia interceptando-os, ordenou: ‘Senta o aço na ROTA’ ” (Jornal da Tarde, 13/08/2006). Nenhuma palavra a mais foi divulgada na imprensa sobre o que teria acontecido a partir da abordagem policial dos suspeitos.

No suposto tiroteio morreram Getúlio Arakaki L., de 29 anos, que havia cumprido pena até o final de julho num presídio da região de Presidente Prudente (extremo oeste do estado), e um outro suspeito, negro, não identificado. Com eles, os policiais da ROTA disseram ter encontrado além de uma pistola belga calibre 9 milímetros e um fuzil 7.62, uma carta no bolso da calça de Getúlio. O “mano G.” era o destinatário da correspondência e, segundo a versão policial, ela conteria uma ordem para matar (“É para matar sem ”), com nomes e endereços de dois juízes criminais da região, sendo um da própria cidade. A carta não era assinada e terminava com o lemaPaz, Justiça e Liberdade” (Jornal da Tarde, 13/08/2006), atribuído ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Um dos jornais insiste em destacar queembora a sigla da facção criminosa não apareça na correspondência, o autor diversas vezes usa a palavrapartido”, termo comumente usado por membros do PCC para se referir ao grupo (Jornal da Tarde, 13/08/2006). A carta não foi mostrada à imprensa (Agência Estado, 12/08/2006), porém seu conteúdo foi transmitido extra-oficialmente. Na Delegacia Seccional de Osasco a informação oficial era a de que o documento havia sido encaminhado à cúpula da polícia (Folha On-Line, 12/08/2006). Para a delegada da Seccional, Jamila Jorge Ferrari, não há duvidas de que a carta foi escrita por algum integrante do PCC (Jornal da Tarde, 13/08/2006). Por seu lado a Secretaria de Segurança Pública disse desconhecer o conteúdo do bilhete (Agora, 13/08/2006). Os juízes apontados na carta, cujos nomes estão em sigilo, foram alertados pelos policiais da Tropa de Choque da Polícia Militar, que lhes ofereceram proteção.

A carta e as duas armas apreendidas foram entregues à delegada Jamila. As armas dos policiais seriam encaminhadas à perícia para os exames de praxe. Os dois mortos na ação da ROTA, não podem dizer mais nada.

Fontes: Folha On-Line, 12/08/2006; Jornal da Tarde, 13/08/2006; Agência Estado, 12/08/2006; Agora, 13/08/2006; IG, São Paulo, 12/08/2006; Cosmo On-Line, Campinas, 12/08/2006; O Estado de S. Paulo, 13/08/2006; A Tribuna, Santos, 13/08/2006