EXECUÇÕES SUMÁRIAS

Menino de 7 anos é morto por policial militar dentro de sua casa, em Guarulhos (Grande São Paulo)

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Última atualização: 08/05/2007

 Data: 29 de dezembro de 2006
Local:
Rua João Pinheiro 182, Vila Flórida, Guarulhos (Grande São Paulo)
Vítimas: Kleyton Pedro de Souza de 7 anos
Agentes do Estado: um policial militar do 15º Batalhão da PM

Relato do caso: Na Vila Flórida, em Guarulhos (Grande São Paulo), dois policiais militares perseguiam três homens na rua João Pinheiro. Eram cerca de 16h30 do dia 29 de dezembro de 2006. Para fugir, os três homens pularam em um córrego à entrada da favela da Vila Flórida. Os dois policiais desceram do carro e penetraram em uma casa particular, um corredor paralelo ao córrego que levava à residência do menino Kleyton Pedro de Souza, de 7 anos. Ele e seu primo Wilian brincavam, soltando pipa. Os dois meninos até se encostaram à parede do corredor estreito para dar passagem à invasão policial. A dez metros de distância de Kleyton um dos policiais atirou duas vezes, atingindo com um tiro o lado esquerdo da cabeça de Kleyton.

Este fato foi visto pela mãe de Kleyton, por seu primo e por vários vizinhos. A mãe imediatamente correu para segurar o corpo de seu filho, desfalecido. Apesar disso o policial que atirou quis colocar a culpa nos rapazes perseguidos que, dentro da água, teriam atirado. Kleyton foi levado para o Hospital Geral Cecap, mas morreu na madrugada do dia 30 de dezembro, às 2h30.

O pai de Kleyton é tecelão e a mãe é dona de casa, a família tem ainda mais três filhos. No dia seguinte, no velório realizado no quintal da casa modesta, em lágrimas, a mãe contava ao jornalista que era inútil a explicação de que os tiros tinham sido dados pelos rapazes que fugiram, que ela tinha visto perfeitamente quem tinha atirado “O policial atirou na cabeça do meu filho, não teve troca de tiros, ele atirou. Depois, os policiais quiseram dizer que foi um bandido que matou meu filho. O policial queria dizer que eu estava louca, que não foi ele. Mas eu vi”. "Queira saber se esse policial também é pai" disse o pai de Kleyton (Agora, São Paulo, 31/12/2006).

Os vizinhos, indignados, interditaram a rua João Pinheiro com pedaços de madeira queimados e móveis de ferro. Um cartaz dizia: “Policial militar despreparado mata criança de 7 anos. Queremos Justiça”. O líder comunitário declarou: "O pessoal queria protestar pondo fogo em ônibus. vamos liberar a rua quando alguém oferecer assistência decente à família(Agora, São Paulo, 31/12/2006).

Situação da investigação: Os dois policiais militares envolvidos no caso ficaram imediatamente aquartelados na própria sede do 15º Batalhão da Polícia Militar. Foi aberto um inquérito para apurar responsabilidades, suas armas foram apreendidas, bem como um revólver, apresentado pelos policias como sendo dos rapazes que fugiram. A versão da Secretaria de Segurança Pública é a de que os policiais estavam em patrulhamento, foram recebidos a tiros e, no “tiroteio”, o menino foi ferido (Agora, São Paulo, 31/12/2006). Mais tarde soube-se que o policial militar que tinha atirado estava preso no Presídio Romão Gomes, mas a Corregedoria da Polícia Militar não tinha ainda nenhuma informação sobre o caso.

Os pais, modestos, querem justiça. No entanto, depois da tristeza da morte do filho, ainda tinham que agüentar intimidações sob a forma de um carro particular com homens armados, que passava em frente da casa e fazia gestos de silêncio, ou viaturas policiais que passavam e apontavam para a casa (conforme informações da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Guarulhos).

Fontes: Agora, São Paulo, 31/12/2006; Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Guarulhos