EXECUÇÕES SUMÁRIAS

Dois mortos e dois feridos no Itaim Paulista (zona leste de São Paulo) por tiros que testemunhas e a Corregedoria da Polícia Militar atribuem a policiais militares

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 Data: 30 de agosto de 2005
Local:
Itaim Paulista (zona leste de São Paulo)
Vítimas: Marcelo Gonçalves de Souza Melo, de 19 anos, e Wellington da Silva Costa, de 21 anos
Agente do Estado: dois soldados da PM e um cabo da PM, lotados na 4ª Companhia do 29º Batalhão da Polícia Militar; e um homem, provavelmente policial militar, não identificado

Relato do caso: Por volta das 4h 10 da madrugada do dia 30 de agosto de 2005, cinco rapazes voltavam de uma danceteria e estavam parados, conversando, sentados em uma mureta na Rua Itajuibi, no Itaim Paulista (zona leste de São Paulo), quando viram dois homens passarem em uma motocicleta. Logo depois da passagem da moto apareceu um carro Corsa da Polícia Militar. Dele desceram o cabo e um soldado. Revistaram os rapazes mas apenas acharam os seus documentos. Foram embora mas deram um sinal de sirene, como se fosse para avisar os motociclistas, que vieram logo em seguida. Da garupa desceu um homem com duas pistolas e começou a atirar, gritando “vão morrer”.  Marcelo Gonçalves de Souza Melo, de 19 anos, feirante, e Wellington da Silva Costa, de 21 anos, entregador, foram atingidos na cabeça e chegaram mortos no Pronto Socorro Santa Marcelina. Mais três adolescentes, com idades de 16 a 17 anos, foram alvejados: um, de 16 anos, passou por uma cirurgia no mesmo hospital; outro, da mesma idade, foi levado para o Pronto Socorro Tide Setúbal com ferimento no abdome; mas nenhum corre risco de vida. O quinto, irmão de uma das vítimas mortais, que não foi atingido, conseguiu fugir e avisou as famílias. 

Foi esse quinto rapaz que reconheceu por fotos, no 50º Distrito Policial (Itaim Paulista), o soldado autor dos disparos. Além disso, ele já o conhecia, por ser o soldado freqüentador da padaria de seu pai. Na hora o adolescente disse isso ao atirador, que lhe respondeu: “por esse motivo você também tem que morrer” (Diário de S. Paulo, 31/08/05). O cabo seria um dos dois PMs que revistaram os adolescentes pouco antes dos disparos. O policial que dirigia a moto e que, segundo a testemunha sobrevivente, também atirou, não foi reconhecido.

No bairro, um dos policiais apontados era conhecido por “viver dando tapa na cara das pessoas” e alguns imaginam que ele estava sempre drogado. Os cinco rapazes não levavam drogas ou armas e apenas um dos adolescentes ferido respondia por ato infracional. Segundo testemunhas, o cabo teria ameaçado de morte o feirante Marcelo em uma abordagem, há algumas semanas. A testemunha sobrevivente disse que “quando a gente viu a polícia chegar ontem [com o cabo] o Marcelo falou: ‘hoje eu vou morrer’ ” (Diário de S. Paulo, 1/9/05)

Situação da investigação: A Corregedoria da Polícia Militar mandou prender o cabo, levado ao presídio Romão Gomes, enquanto o soldado encontrava-se foragido. Ambos vão responder pela acusação de duplo homicídio. Estavam lotados na 4ª Companhia do 29º Batalhão da Polícia Militar. Um dos soldados, que estava entrando de férias, estava à paisana e o outro o substituía na viatura Corsa da Polícia Militar sob o comando do cabo. A Corregedoria considera que um dos soldados e o cabo agiram em conluio, enquanto o outro soldado não sabia do motivo da abordagem. O fato de um dos soldados encontrar-se foragido levava os sobreviventes e suas famílias a temerem por suas vidas. Mas o soldado se entregou diretamente no Presídio Romão Gomes, no dia 2 de setembro. Já o outro soldado autor dos tiros, foi preso em 3 de setembro.

Fontes: Folha de S. Paulo, 31/08/2005; Diário de S. Paulo, 31/08/2005; 01/09/2005; 04/09/2005; Causa Operária Online - http://www.pco.org.br – 01/09/2005