EXECUÇÕES SUMÁRIAS

Jovem trabalhador de 21 anos é executado à queima roupa por guarda civil municipal, em bar de Guarulhos (Grande São Paulo)

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 Data: 8 de maio de 2006
Local:
Cidade Seródio, Guarulhos (Grande São Paulo)
Vítima: Márcio Vieira Porto, de 21 anos
Agentes do Estado
: um guarda civil municipal

Relato do caso: Na noite de 8 de maio, Márcio Vieira Porto, auxiliar de produção, de 21 anos, e seu irmão Marcelo, de 26 anos, depois de comprar cigarros no “Bar da Lúcia”, localizado no bairro Cidade Seródio, em Guarulhos, decidiram tomar uma cerveja. A um dado momento, Márcio se dirigiu ao banheiro e foi seguido por um guarda civil municipal. Márcio e o guarda civil retornaram do banheiro discutindo. Quando se encontravam na porta do bar, por volta das 21h30 da noite, o guarda sacou sua arma, uma pistola 380, e disparou quatro tiros contra Márcio. Atingido na virilha, ele caiu sangrando na porta do bar. No momento em que se preparava para fugir em seu carro, o atirador foi detido por um tenente do 31º Batalhão da Polícia Militar e por outros policiais militares de uma base próxima. Levado pelos policiais militares ao Hospital Geral de Guarulhos, Márcio faleceu antes de ser operado. Conforme testemunhas, Marcelo tentou impedir a morte do irmão, segurando o braço do guarda municipal. Como resposta, o guarda disparou três vezes contra ele. O irmão mais velho também chegou a passar pelo pronto-socorro do Hospital Geral de Guarulhos.         

Embora o crime tenha ocorrido diante de todos os freqüentadores do bar e o assassino tenha declarado que a causa do  bate-boca que precedeu o assassinato teria sido uma mulher, as falas das testemunhas vão em outro sentido. O  delegado Emerson Abad, do 7º Distrito Policial de Guarulhos, ouviu quatro pessoas que estavam no bar no momento do crime. "Segundo as pessoas que ouvi, os irmãos estavam no bar fazia pouco tempo. Márcio foi ao banheiro e, sem motivo aparente, o indiciado, que estava ali também bebendo, à paisana, foi atrás. Lá, teria acontecido um bate-boca, que se prolongou até a entrada do boteco. Na porta, mais discussão e um copo quebrado. Até que o indiciado sacou uma pistola 380 e disparou." (IG, São Paulo, 09/05/2006; Yahoo News, São Paulo, 09/05/2006). Outra indicação de que o motivo não era uma questão passional foi dada posteriormente pela irmã de Márcio, que declarou: "Pelo que o pessoal do bar falou, durante a discussão, depois da ida ao banheiro, o meu irmão ainda mostrou o crachá para o guarda. Falou para ele que era trabalhador e que não queria encrenca. Mas não adiantou nada" (IG, São Paulo, 09/05/2006). De fato, Márcio tinha começado a trabalhar na fábrica de meias Trifil, e como tinha uma filha que sequer completou um ano, tinha planos para alugar uma casa e morar com a mãe da menina.

Situação da investigação: O guarda civil foi indiciado pelo delegado Emerson Abad por homicídio doloso. O autor dos disparos sugeriu que o motivo da discussão teria sido uma mulher e afirmou que agiu em legítima defesa. “Só isso que quero falar. Só isso” (IG-SãoPaulo-9/05/2006). As notícias da imprensa não explicitam se ele permaneceu preso, donde se pode concluir que sua condição de guarda civil municipal o livrou da prisão em flagrante delito.
                                                                                    

Fontes: Agência Estado, São Paulo (09/05/2006); IG, São Paulo (09/05/2006); Yahoo News, São Paulo (09/05/2006)