EXECUÇÕES SUMÁRIAS

Pedreiro é assassinado pelas costas por policial militar, em uma pizzaria em Itaim Paulista (zona leste de São Paulo), depois de uma discussão banal

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 Data:12 de março de 2006
Local:
Av. dos Igarapés, Itaim Paulista (zona leste de São Paulo)
Vítima: Nilson Souza de Queiroz, de 35 anos
Agente do Estado
: um soldado da PM

Relato do caso: No sábado, dia 11 de março de 2006, o pedreiro Nilson Souza de Queiroz, de 35 anos, foi à Pizzaria Kobertura, que fica na Av. Igarapés, em Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo. Lá encontrou um policial militar e seu irmão. Por volta das 3h da madrugada os três começaram a discutir. O dono da pizzaria, José Pimentel Bezerra, de 46 anos, para esfriar a discussão, avisou que estava na hora de fechar. O soldado saiu para ir ao banheiro e ao voltar descarregou sua arma nas costas de Nilson. Foram quatro tiros, um deles acertando na nuca do pedreiro, que teve morte instantânea. Um outro disparo atingiu o dono da pizzaria no pé. Ele foi levado para o Hospital Santa Marcelina. Lá comentou com um cunhado de Nilson que não havia motivo o soldado matá-lo.

Situação da investigação: Depois do acontecimento o soldado se apresentou a uma companhia da Polícia Militar e foi conduzido ao 59º DP (Jardim dos Ipês). Sua versão para o crime foi a de que atirou em legítima defesa. Teria visto um desconhecido, disse ele ao delegado plantonista, com uma arma na mão, ameaçando seu irmão. Por isso apresentou, além da arma com a qual reconheceu que havia atirado, uma arma de brinquedo que, supostamente estaria na mão de Nilson.

A família de Nilson nega veementemente essa versão e clama por justiça. Em primeiro lugar, vítima e agressor eram vizinhos, amigos de infância e estavam se divertindo em um karaokê na pizzaria quando se iniciou a discussão. A família ainda nega que Nilson tivesse arma de qualquer tipo em suas mãos, inclusive uma de brinquedo. Aponta ainda para o fato de que Nilson estava de costas para o soldado, o que não faria se estivesse ameaçando o irmão do policial com uma arma.

Portanto a versão fornecida pelo soldado da PM foi em seguida desmontada. Apesar disso o delegado entendeu que o fato de o policial ter se apresentado espontaneamente significava que queria ver esclarecidas as circunstâncias do acontecido. Por isso não o prendeu. Ele foi indiciado por homicídio doloso (com intenção de matar). Segundo a Secretaria de Segurança Pública ele foi afastado de suas funções operacionais para acompanhamento psicológico. Em nota oficial informou que não houve prisão do policial militar porque o Código Penal não prevê a detenção nos casos de legítima defesa. E o caso, segundo a nota, seria apurado por um inquérito policial.

Fontes: Diário de S. Paulo, 14/03/2006; Jornal da Tarde, 14/03/2006; Diário do Grande ABC, 16/03/2006