Relato do caso: Era manhã do dia 14 de agosto de 2006, uma segunda-feira. Um homem e dois adolescentes iniciaram uma tentativa de assalto rendendo quatro pessoas da mesma família – um pai e três filhos - na garagem de uma casa no Bairro Bandeiras, em Araçatuba. Os rendidos foram levados para um quarto onde ficaram trancados, enquanto o trio separava aparelhos eletrônicos no interior da casa. Num descuido do trio, uma das crianças, um menino de 12 anos, conseguiu chamar a polícia por telefone. Os policiais militares chegaram rapidamente à residência no mesmo momento em que o trio se preparava para deixar o local, levando apenas os aparelhos eletrônicos. Imediatamente, a rua foi cercada pelos policiais. Alguns jornais atribuem a tentativa de fuga à chegada dos policiais militares (Cosmo On-Line,Campinas, 14/8/2006; Folha da Região, Araçatuba, 14/08/2006). As fontes utilizadas na elaboração deste relato informaram que um tiroteio teria ocorrido no local. Rubens Brandão dos Santos, de 16 anos, e Luiz Carlos Gonçalves de Aguiar, de 33, foram baleados e mortos ainda dentro da casa. Segundo a versão da polícia, “os ladrões resistiram à prisão” (Diário Web, S. José do Rio Preto, 15/8/2006). O outro adolescente foi baleado e levado para a Santa Casa da cidade. Situação da investigação: Com o trio, a policia diz ter apreendido quatro armas, dois revólveres calibre 38 e duas armas de brinquedo. As fontes aqui utilizadas não mencionaram com quem exatamente as armas foram apreendidas, nem disseram se nas armas verdadeiras havia cápsulas deflagradas. Tampouco revelaram com quantos disparos e em que partes do corpo as duas vítimas foram atingidas e mortas. Como sempre é preciso culpabilizar a vítima da execução sumária, o passado dos mortos foi investigado e verificou-se que Luiz Carlos Gonçalves de Aguiar cumpria pena no Instituto Penal Agrícola de São José do Rio Preto e havia sido beneficiado com a saída do Dia dos Pais. Não foi noticiado nenhum sinal de investigação para apurar as circunstâncias das mortes e se houve exatamente tiroteio. Não ficou demonstrado que houve enfrentamento e que, em sua legítima defesa, os policiais militares envolvidos tinham que ter morto o adolescente e o homem, ferindo ainda um terceiro adolescente.
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