EXECUÇÕES SUMÁRIAS

Rapaz, em fuga com outros dois, depois de abandonar carro roubado, é morto com uma rajada de metralhadora na barriga por policiais militares, no bairro Cidade Singer, Campinas (Estado de São Paulo)

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 Data: 20 de outubro de 2005
Local:
Rua 8, bairro Cidade Singer, Campinas (Estado de São Paulo)
Vítimas: Rubevaldo Martins Magalhães, 30 anos
Agente do Estado: policiais militares do 47º Batalhão da Polícia Militar (Vila Teixeira)

Relato do caso: Tudo começou por volta das 9h30, com o roubo de um Celta, no bairro Helvétia, em Indaiatuba, próximo de Campinas, numa estrada vicinal usada pelos motoristas para não pagar pedágio. Feita a denúncia, policiais militares do 47º Batalhão da Polícia Militar (Vila Teixeira) estavam à espreita, em uma estrada de terra, próxima ao Aeroporto Internacional de Viracopos, quando se depararam com um Renault Clio, com placas de Jundiaí, no qual estavam Rubevaldo Martins Magalhães, de 30 anos, e mais dois rapazes.  É de se perguntar como e porquê estes policiais militares deduziram que os três rapazes do Renault Clio eram os autores do roubo do Celta.

   Segundo a versão da polícia, os três rapazes foram gentilmente intimados a parar mas não obedeceram e fugiram em direção ao bairro Cidade Singer, de Campinas. Na altura da Rua 8, desse bairro, abandonaram o Renault Clio e partiram para a fuga a pé. Um dos rapazes conseguiu fugir. Outro foi preso. E, sempre segundo a versão da polícia, ao mesmo tempo em que fugia, Rubevaldo teria atirado contra os policiais que, nessa circunstância, revidaram. Rubevaldo foi atingido por uma rajada de metralhadora da barriga.  Como em quase todos os casos do gênero, o ferido foi levado ao Hospital Municipal de Indaiatuba e lá morreu.

Situação da investigação: Seguramente com os métodos que sabemos que a polícia utiliza, o rapaz preso confessou posteriormente que estariam se preparando para executar um roubo de carga, que eram, os três, do PCC (Primeiro Comando da Capital) e levou os policiais até uma suposta central telefônica dessa facção. O caso do encontro dessa central, bem como da prisão de duas senhoras que lá se encontravam, foi registrado no plantão do 9º Distrito Policial, no Jardim Aeroporto. Nada indica que a execução sumária de Rubevaldo Martins Magalhães venha a ser investigada, sendo considerada, no linguajar policial, “resistência seguida de morte”, um eufemismo. Por isso nem sequer é questionado quem seria o autor da rajada de metralhadora que o matou. Este é outro caso em que fica registrado o “alto grau de letalidade da polícia brasileira” de que fala o relatório da Anistia Internacional.

Fontes: Correio Popular, São Paulo (21/10/2005); Diário do Povo, São Paulo (23/10/2005)