Data:
15 de
maio de 2006
Local:
Santo Amaro (zona
sul de São Paulo)
Vítima:
William Alves
Martins, de 21 anos, e Everson de Almeida, de 16 anos
Agentes
do Estado:
policiais
militares não identificados
Relato
do caso:
No dia em que São Paulo parou, histericamente atemorizada
pelos ataques do PCC, e em que as autoridades policiais de certa maneira
deram carta branca para a matança indiscriminada de “suspeitos” – dia 15
de maio, uma segunda-feira - William Alves Martins, de 21 anos, e Everson
de Almeida, de 16 anos, desapareceram. A família de William, depois de
fazer uma ronda por delegacias, foi encontrar seu corpo no IML (Instituto
Médico Legal). Na versão da família, William tinha ido buscar a irmã na
creche mas chegando ao local, outra irmã já tinha levado a criança. Então
William voltou para casa e, em seguida, saiu a pé, encontrando Everson
Almeida, seu amigo.
Na versão da polícia, os dois teriam roubado
um táxi na região do Terminal de Santo Amaro (zona sul de São Paulo) e
reagido quando abordados por policiais militares. De acordo com a
Secretaria de Segurança Pública, o carro bateu na calçada, William e Everson saíram do veículo disparando contra os policiais, iniciando-se o
tiroteio. Como em todos os casos de execução sumária, nenhum dos policiais
militares ficou ferido, porém os dois morreram. A polícia informou ainda
que os dois jovens foram reconhecidos pelo dono do táxi, que havia
explosivos no porta-malas do carro e que William e Everson portavam armas
com número de registro raspado.
A família de William rejeita a versão dos policiais
militares sobre o que ocorreu naquela noite. O tio de William argumenta
que o táxi foi devolvido ao dono sem passar por perícia (a polícia nega
esse fato) e que, segundo pessoas com quem ele conversou que viram a ação,
os dois rapazes "foram vistos algemados e vivos entrando no carro da
polícia" (Folha de S. Paulo,
18/05/2006).
William chegou a ser levado a um pronto-socorro do hospital Regional Sul.
Para o tio,
se tivesse ocorrido tiroteio haveria tiros em outras partes do corpo do
rapaz, e não só na cabeça e peito, como foi relatado pelos parentes que
reconheceram o corpo do rapaz no Instituto Médico Legal.
William tinha passagem pela FEBEM e a família
acerta ao afirmar que este pode ter sido um dos motivos para a sua morte.
Sabe-se que os egressos da Fundação tornam-se objeto de perseguição,
extorsão e candidatos às execuções sumárias.
"Ele desandou nas drogas, mas agora era sossegado", “queria ser o homem da
casa. Era muito amoroso", afirmou seu tio (Folha
de S. Paulo, 18/05/2006).
William fazia bicos
como ajudante de pedreiro e queria voltar a estudar. Tinha quatro irmãos e
a mãe, viúva, vive da pensão do pai.
Os relatos das testemunhas com quem o tio de William conversou
mostram que a versão dos policiais militares é falsa e que os rapazes
foram assassinados em circunstâncias bem diferentes das apresentadas pela
Secretaria de Segurança Pública. As testemunhas indicam que William e
Everson não morreram em tiroteio com a polícia e as evidências mostram que
a teoria de confronto armado entre é inverídica.
Situação da investigação: Diante da inconformidade dos familiares e de sua
intenção de levar o caso à Justiça, a Secretaria de Segurança Pública
afirmou que o caso seria investigado por um inquérito policial militar (Folha
de S. Paulo, 18/05/2006).
Sabe-se quanto valem estas afirmações. Nos meses seguintes às matanças de
maio nenhuma instituição estatal conseguiu comprovar o número de pessoas
que foram mortas pelas polícias e por encapuzados agindo como “grupos de
extermínio”.
Fontes: Folha de S. Paulo (18/05/2006)