EXECUÇÕES SUMÁRIAS

Adolescente de 17 anos, suspeito de roubar R$12,00 e algumas barras de chocolate,  é executado por policiais militares em S. José do Rio Preto (interior do Estado de São Paulo)

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 Data: 23 de junho de 2006
Local:
S. José do Rio Preto (interior do Estado de São Paulo), zona norte, Jardim Maria Lúcia
Vítima: William C. Bueno, de 17 anos
Agentes do Estado
: policiais militares

Relato do caso: O proprietário de um minimercado no Jardim Maria Lucia, na zona norte de São José do Rio Preto (interior do Estado de São Paulo), acionou a PM para prender dois jovens que teriam assaltado o seu estabelecimento. Segundo seu relato, um deles, menor de idade, estava encapuzado, e teria roubado R$ 12,00 e várias barras de chocolate, fugindo em seguida em uma bicicleta. Segundo uma outra testemunha, havia, com o adolescente, um outro rapaz que não entrou no minimercado.

Os policiais militares saíram então à procura dos dois e próximo à rua Antonio Marcos de Oliveira, ainda no Jardim Maria Lúcia, avistaram duas pessoas que consideraram serem os suspeitos. Quando tentaram abordá-los, o mais jovem fugiu, enquanto o outro, de 28 anos, foi preso. Dois dos quatro policiais militares  que participavam da abordagem então saíram ao encalço do que havia fugido. Segundo a versão deles, houve um tiroteio e William C. Bueno, de 17 anos, foi ferido com dois tiros. Levado para o Hospital Santa Casa não resistiu aos ferimentos e morreu, como acontece na quase totalidade destes casos. Nenhum policial ficou ferido. Com o rapaz teria sido apreendida uma arma calibre 22.

É de se perguntar como um jovem que estava encapuzado no momento do alegado assalto pôde ser reconhecido pelos policiais? O único elemento que poderia denunciar o adolescente seria a bicicleta, mas quantos jovens dessas regiões não possuem uma bicicleta para sua locomoção?

Situação da investigação: A arma supostamente em poder de William e o adulto que estava com ele foram conduzidos ao 4º Distrito Policial da cidade. Como William morreu, ou no hospital, ou a caminho dele, tornou-se impossível uma perícia que demonstrasse que houve efetivamente confronto, que a iniciativa de atirar partiu da vítima, enfim, que não houve simplesmente uma execução sumária. A história da morte de William encontra-se rigorosamente dentro dos padrões de atuação das polícias paulistas.

Restava demonstrar a culpabilidade da vítima. De acordo com o delegado que ia apurar o caso, ambos os suspeitos tinham antecedentes criminais. Segundo Camargo, o adolescente morto havia deixado a Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (FEBEM) de S. José do Rio Preto havia cerca de um mês, onde esteve internado por roubo e porte ilegal de armas. Já o rapaz que estava com ele tinha passagem pelo sistema prisional por furto.

Fontes: DiárioWeb, S. José do Rio Preto (24/06/2006); Terra, São Paulo (26/06/2006)