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A
equipe do Observatório das Violências Policiais-SP
apresenta nesta data os gráficos relativos às listas de mortos – a
partir de 12 de maio de 2006 até 30 de setembro de 2007 – nos
quais se pode acompanhar, mês a mês, a evolução da letalidade das
polícias e agentes do Estado, bem como as mortes executadas por
grupos de encapuzados com indícios de presença de policiais, no
Estado de São Paulo (veja).
Até hoje os
chamados "crimes de maio" no Estado de São Paulo
não foram esclarecidos. O Conselho Regional de Medicina
contou, entre 12 e 20 de maio de 2006, 493 mortos por arma de fogo, enquanto os crimes atribuídos ao PCC (Primeiro Comando da Capital)
resumem-se a 47 mortos. No entanto nenhuma autoridade do Estado de
São Paulo, e nem a chamada "Comissão Independente" (que publicou o
livro Crimes de maio, janeiro 2007) conseguiram explicar como
aconteceram as 447 mortes restantes nesses poucos oito dias
(leia
mais). Soube-se depois que
o governador em exercício, Claúdio Lembo, foi procurado na época
pelo que ele chama de "minoria branca" e instado a ordenar que "se
matassem todos" ("Sou conservador, mas não sou burro; vejo o
vulcão social", Folha de S. Paulo, 31/12/2006 ). Como disse
Paulo de Mesquita Neto, durante esse período e até agosto de 2006
"as regras da democracia e do Estado de
Direito foram suspensas por autoridades da polícia, do governo,
Ministério Público e Poder Judiciário ("A lógica da exceção
permanente", O Estado de São Paulo, 16/12/2007).
O fato é que,
depois dessa "inflação" de mortes em oito dias, as execuções
sumárias continuaram o seu ritmo "normal", cerca um
morto por dia no Estado de São Paulo, como se pode acompanhar nos
gráficos que apresentamos. Em 2007, findos os governos de Geraldo
Alkmin e do vice, Claúdio Lembo, bem como a gestão do Secretário
de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu, já durante o governo
de José Serra, o que se viu foi uma explosão das chacinas, muitas
das quais guardam indícios claros de participação de forças
policiais clandestinas, algumas vezes comprovadas. Vários mortos
de uma só vez – de três a oito mortos -, em geral jovens, nas
periferias pobres, executados em locais públicos com a calma de
quem sabe não ter nada a temer.
Em meados de
dezembro de 2007 a imprensa noticiou a morte de um adolescente de
15 anos, Carlos Rodrigues Júnior, suspeito de ter roubado uma moto
que estava no quintal de sua casa, em Baurú, interior do Estado de
São Paulo. Seis policiais do 4º Batalhão
de Polícia Militar do Interior estão envolvidos no caso. Carlos
foi torturado em 15 de dezembro, dentro de sua própria
casa, no bairro Mary Dota, em Baurú. No boletim de ocorrencia o
tenente que chefiava a equipe declarou que um dos soldados
dirigiu-se ao porta-malas de uma das viaturas para pegar
"um fio elétrico de aproximadamente um
metro de comprimento, tendo em uma ponta um plug e na outra dois
fios desencapados "(Jornal da Cidade, Bauru, 16/12/2007).
A população do bairro Mary Dota, que já havia presenciado,
em abril de 2007, a execução sumária do mecânico Jorge Luiz
Lourenço, por policiais militares, mais uma vez protestou.
Desta vez, graças ao diretor do Instituto Médico Legal de Bauru,
Ivan Edson Rodrigues, e ao delegado seccional de Bauru, Donisete
José Pinezi,
não se usou
a expressão "maus tratos", com a qual se procura encobrir a
tortura e o
crime a ela correlato:
a palavra foi enunciada claramente.
Carlos levou 30 choques elétricos na cabeça, tórax, saco escrotal
e na região mamária, perto do coração, levando a uma arritmia
cardíaca e à morte (Folha de S. Paulo, 19/12/2007).
O
governador de São Paulo, questionado, classificou o episódio como
"deplorável" e assinou um decreto "que autoriza o Estado a
indenizar a família do adolescente" (Folha de S. Paulo,
22/12/2007). Só podemos nos congratular com estas declarações e
ações do governador. Falta agora indenizar todos os familiares das
vítimas de execuções sumárias, por tortura ou por fuzilamento sem
enfrentamento, durante os governos pós-ditadura no Estado de São
Paulo. E falta que seus autores sejam investigados, julgados e
punidos conforme a lei.
Para tanto
oferecemos nossas listas, baseadas em notícias de jornais do
Estado de São Paulo, cujos gráficos agora apresentamos.
Equipe do
OVP-SP
dezembro 2007
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