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Fonte:
http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia
Em ato
pela civilização e contra a violência realizado na noite desta
segunda (29) na Faculdade de Direito da USP, MST, PSOL, PT, PSTU
e várias entidades exigiram a apuração das mortes pela violência
em São Paulo. O jurista e ex-vice-prefeito de São Paulo, Hélio
Bicudo, defendeu a federalização das investigações. Comissão
Independente diz que total de mortes pode chegar a 300.
Verena Glass –
Carta Maior
30/05/2006
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SÃO PAULO - O
jurista e ex-vice-prefeito de São Paulo, Hélio Bicudo, defendeu
nesta segunda-feira (29) que a Polícia Federal assuma as
investigações sobre a responsabilidade de agentes policiais nas
mortes de civis entre os dias 12 e 20 deste mês, baseado nos
indícios de que houve abuso de poder e execuções sumárias. Segundo
Bicudo, que participou de um ato organizado por juristas, partidos
políticos e movimentos sociais na Faculdade de Direito do Largo São
Francisco, as polícias Civil e Militar teriam dificuldade s de
investigar membros da própria corporação.
"O que vimos em São Paulo nessas semanas foi uma violência sem
parâmetros, em que a atuação policial não poderia ter se igualado à
ação dos criminosos, eliminando pessoas indiscriminadamente. O
Estado de Direito não pode aceitar a violência vinda do Poder
Público. O governo Lula deveria chamar a si a federalização dos
crimes contra os direitos humanos, e a investigação pela Polícia
Federal é uma questão de ética", afirmou Bicudo.
A federalização dos crimes contra os direitos humanos, aprovada na
última reforma do Judiciário, é um instrumento importante que, até
agora, não foi aplicado por inoperância do Superior Tribunal de
Justiça, cobrou o jurista. O assunto será levado nesta terça (30) ao
Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) por membros
da Comissão Independente (formada por entidades de direitos humanos,
órgãos públicos e a Ordem dos Advogados do Brasil para acompanhar as
investigações sobre as mor tes de civis) para estudar o pedido de
federalização.
Também durante o ato, o coordenador do Movimento Nacional de
Direitos Humanos, Ariel de Castro Alves, relatou a visita da
Comissão Independente à Guarulhos na tarde de segunda para averiguar
as condições de 57 mortes ocorridas no município. Segundo ele, estes
casos - como outros sem autoria identificada - não fazem parte da
lista de vítimas apresentada pela Secretaria de Segurança Pública, o
que poderia elevar a 300 o número de mortos no período de conflito
entre as polícias e o crime organizado.
Os casos de Guarulhos são especialmente graves, constatou a
Comissão - que conversou com familiares das vítimas e representantes
da OAB local -, principalmente porque mais da metade dos laudos
aponta indícios de execução, como tiros na nuca e na cabeça. Isto
fortalece a tese de que houve a ação de grupos de extermínio, avalia
Ariel.
MANDADO COLETIVO
Outro tema que gerou protestos entre os participantes do ato foi a
utilização, por parte da Justiça, de mandados coletivos de busca e
apreensão. Este instrumento, ilegal segundo a Constituição - que
prevê a obrigatoriedade da individualização e da fundamentação de
mandados - tem permitido à polícia ocupar bairros e favelas e entrar
em qualquer casa para dar busca e prender suspeitos.
"Na Zona Leste, a polícia está parando os jovens e fotografando
aqueles que tem tatuagem no corpo em plena via pública. Estão
prendendo quem tem passagem pela polícia, inclusive aqueles que tem
em mãos a documentação de soltura ou condicional, e isso é ilegal",
afirmou Valdenia Paulino, coordenadora do Centro de Direitos Humanos
de Sapopemba, que pediu apoio à uma moção à Justiça contra os
mandados coletivos.
Reunindo cerca de 200 pessoas, o ato também permitiu que várias
lideranças sociais e políticas expressassem seu repúdio às condições
sociais, econômicas e políticas que levaram à explosão da violência
em São Paulo. Um dos organizadores do even to, Plínio de Arruda
Sampaio considerou o ato “pequeno, mas representativo”.
“Mais importante que tudo foi realizá-lo, pois a sociedade não pode
assistir passiva a escalada da barbárie. A cada ato brutal, é
fundamental que a voz da civilização se levante e diga 'não'!”,
afirmou.
O ato, que contou com a presença de personalidades como o senador
Eduardo Suplicy, o bispo auxiliar de São Paulo, Dom Pedro Luiz,
deputados federais e estaduais do PSOL e do PT e lideranças de
movimentos sociais como o MST, CUT e Conlutas, convocou ainda outro
protesto contra a violação dos direitos humanos para esta
quarta-feira, as 14 horas na Praça da Sé.
INDENIZAÇÕES
No último dia 25, o deputado Estadual Sebastião Arcanjo (PT)
protocolou na Assembléia Legislativa um Projeto de Lei que autoriza
o Estado a indenizar os familiares de vítimas fatais decorrentes dos
ataques ocorridos entre o dia 12 e 23 deste mês.
Segundo nota do deputado, o projeto prevê o “pagamento de inde
nização para integrantes da Polícia Civil, Polícia Militar e Agente
Penitenciários do Estado de São Paulo, ainda que não se encontrassem
em serviço, mas cujo homicídio tenha ocorrido, comprovadamente, em
virtude da ação de criminosos entre os dias 12 e 23 de maio; e de
pessoas da população civil, cujo homicídio tenha ocorrido em virtude
da ação de criminosos e também de agentes do Estado em reação aos
atos criminosos, no mesmo período. O projeto fixa, ainda, o valor
das indenizações que não podem ser inferiores a R$ 100 mil e
superiores a R$500mil”.
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